Wesley Xavier - A vilã noturna

      Noite semelhante a outras, nessa a chuva prevalece lá fora, tão esperada em momentos, tão odiada pela insensibilidade nativa ou apropriada da cegueira sistêmica.
       Ali, no reconforto de seu pedaço de mundo, entre quatro paredes, acordado em plena madrugada molhada, a princípio insignificante, fazendo-me permanecer deitado entre a lucidez e o sono leve. Pensava, mesmo em quase estado vegetativo cerebral e um corpo físico agitado sem saber se sentia calor ou frio, indecisão que custava escolhas; delas, o mais ativa gotículas essenciais recorria entre manter o cobertor me aquecendo ou retira-lo, em fuga ao seu exagero na temperatura...
O pensamento a princípio era o desejo em compartilhar via SMS o fato d'eu ter "apagado" tão cedo, mas jaz madrugada chuvosa ali enfrentei; de súbito 'click', senti que isso não era necessário, antemão, contar essa história fazia mais sentido, até porque o sono havia desapontado minhas 9 horas de descanso, essa prevista há tempos como importante ao meu desempenho diário. Sei que é relativo, enfim...
      Logo tive que levantar, ir ao banheiro relaxar minha bexiga. No caminho lembrei do momento que percebi que a chuva ali fora fluía com tanta vida, eficaz e de momento sua natureza sombria e calma... Uma bela sensação ativou em mim. O outro lado disto, era distorcido, criatividade humana, criação humana; meu notebook foi quem mostrou quão horas havia passado, eu apagara subitamente antes do previsto, com os fones em meus ouvidos a tocar midi de erudito nacional, em específico, um choro de Vila Lobos induziu-me eu sono profundo e a tela brilhante do aparelho me despertou do profundo sono, fazendo fechar-lhe a tampa afugentando a luz artificial de meus olhos, logo voltei ao sono, porém esse já me presenteou com sonho, qual não recordo.
     Após relaxar minha bexiga, como de costume, lavei a mão qual ainda tem sopro de vida 100% ativo.
     Saindo do banheiro um desejo me assola, junto com uma leve saudade persistente, essa quase o ano todo. Desejo comum, mas jamais havia lhe notado semelhança com o desejo que espectro inventado em um desenho; quase surreal o desejo, me deixou intrinsecamente incomodado, parecia que nada havia em meu estômago.
     Olhei em todo o canto da cozinha, de várias frutas, a qual eu quero não estava ali... Percebi que diariamente eu a comia, a qualquer momento que puder, estava com um pedaço dela próximo para saciar o desejo físico, desejo que um monstro, um Deus da morte, em ideia e imagens virtuais, inventadas por mente humana, até a personalidade, também continha...      História que ouvi a condenava biblicamente... A maçã é minha vilã noturna desta noite e minha principal inspiração dessa história.
      Agora q chuva parou, o desejo continua, a noite está para acabar, estômago fica contorcendo, essencialmente ainda estou ligado ao físico. A vilã ou heroína, ainda sim me mostra quão longe do controle estou, ela, um pedaço da natureza, da terra, do universo, da criação.

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